Saciada ou satisfeita?

Atualizado: 7 de Nov de 2020

Ao terminar de comer, você percebe seu estômago cheio. Você não tem mais fome, mas tem a sensação de que está faltando alguma coisa, que não era exatamente aquilo que você queria ter comido naquele momento.

Você já passou por isso? Provavelmente sim, não é mesmo? Então, o que aconteceu nessa situação é que você estava saciada, mas não satisfeita.


Como assim? Isso ocorre porque não só a saciedade, mas também a satisfação, são pontos importantes para serem entendidos e levados em conta na hora da alimentação.


Segundo proposto pela Alimentação Intuitiva (Tribole e Resch, 2012), perceber o sinal que você encontra-se confortavelmente saciado (sentindo o estômago cheio, mas não em excesso) é o indicador para terminar a refeição, pois você já ingeriu a quantidade de comida que o seu corpo estava precisando no momento.


Para perceber o sinal de saciedade é necessário praticar e pode não ser fácil no começo, principalmente se você costuma comer rápido ou distraída. Por isso, atentar-se a alguns pontos pode auxiliar nesse processo: prestar atenção na comida enquanto come, fazer pausas durante a refeição e questionar-se como está o seu nível de fome/saciedade, comer devagar e sem distrações (celular, televisão etc.), fazer a refeição em ambiente tranquilo sempre que possível, evitar conversas sobre assuntos desagradáveis que possam trazer aborrecimentos. 


Outro ponto ressaltado por Alvarenga e Figueiredo (2015) é estar atento para atender à fome antes que ela atinja um nível muito alto, pois assim torna-se mais fácil a real percepção da saciedade.


Agora, se você percebe que está confortavelmente saciado, mas tem a sensação de que faltou alguma coisa, pode ser que a sua satisfação não tenha sido considerada no momento da decisão do que comer.


Vou dar um exemplo para que fique mais claro: digamos que você é convidado para jantar hambúrguer na casa de amigos. Você passou o dia pensando e desejando aquele hambúrguer que a sua amiga faz como ninguém. De repente, ao chegar na janta, sua amiga conta que teve um imprevisto naquele dia e não teve tempo de comprar os ingredientes, por isso, está improvisando uma massa. Você não vai deixar de confraternizar e jantar, mas ao comer massa quando se está com vontade de comer hambúrguer, fará com que a sua satisfação em relação à aquela refeição seja menor, pois não era o que você realmente queria comer.

Existem algumas situações, como a do exemplo acima, em que não é viável considerar a questão da sua satisfação. Mas, sempre que possível, o fator satisfação deve ser levado em conta, assim como a saciedade, uma vez que, segundo Alvarenga e Figueiredo (2015) “o objetivo do comer não pode ser apenas satisfazer as necessidades físicas, mas também as socioculturais e emocionais”.


De acordo com Tribole e Resch (2012), considerar a satisfação na hora de comer, através da identificação do que você realmente quer naquele momento, fará você comer menos. As autoras afirmam que quando você se permite fazer escolhas prazerosas e que te trarão satisfação em cada refeição, a quantidade total de comida que você ingere diminuirá. Pense nas sensações que a comida provoca em você, boas ou ruins, em relação ao sabor, textura, aroma, aparência, temperatura e volume, assim você poderá identificar o que traz mais satisfação na hora de decidir o que comer.

Muitas vezes comemos coisas que nem gostamos tanto assim, por ser o que tem disponível no momento ou por acharmos que é o “certo”, o “saudável”, o que “deve” ser consumido. Além disso, há pessoas que sentem-se culpadas e com a sensação de estar fazendo algo errado ao escolher alimentos que gostam, que proporcionam a sensação de prazer e bem estar, e por isso escolhem somente conforme os nutrientes e calorias que eles oferecem. O que acontece nessa situação é que não obtemos satisfação, e acabamos compensando em alguma hora.


Um exemplo é almoçar em um restaurante tipo buffet, comer só saladas para ser “saudável”, mesmo tendo a lasanha que você adora, e ainda não comer a sobremesa, mesmo tendo o seu doce favorito, o pudim que é igual ao da sua avó. Logo depois do almoço uma colega leva uma torta de chocolate para o trabalho. Você tenta resistir ao máximo, já conseguiu não comer a lasanha e o pudim, por que não conseguiria ficar sem a torta, não é mesmo? Todos começam a falar que a torta está uma delícia e você está louca para comer um doce. No fim das contas você entrega os pontos e acaba comendo a torta, várias fatias até não aguentar mais. 


Será que se você tivesse levado em conta a satisfação no almoço, você teria comido a torta compulsivamente? Provavelmente não. Por isso, para considerar e atender o fator satisfação no momento da decisão do que será consumido é importante praticar a permissão incondicional para comer, conforme abordado anteriormente nesse artigo.


Assim, já que a alimentação tem vários sentidos, não só o de nutrir, experimente aliar saciedade e satisfação sempre que possível, e torne a refeição literalmente muito mais gostosa!    

Referências:

ALVARENGA, M. et al. Nutrição Comportamental. Barueri, São Paulo, Manole, 2015.

TRIBOLE, E. RESCH, E. Intuitive Eating, 2012.

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